Capítulos: 1 2 3
Autor: Ilana Sam
Fandom: não informado
Gênero: Drama, Romance
Status: completo
Classificação: não informada
Resumo: Serena não consegue entender os motivos de Darien ter terminado o namoro com ela. Embora inconformada, tenta seguir em frente, com o apoio de suas amigas. Pensa que se conseguir romper os próprios receios irá se superar, mas logo irá descobrir o que realmente precisa para amadurecer.
Capítulo 03 – Nós Não Negamos que Nos Amamos
Estava tudo tão recente. Eu era
uma princesa da lua, do futuro e ainda tinha (tenho) uma filha. Tudo depois do
que aconteceu. Tinha morrido e, por um momento, percebi que estava em outro
mundo. Ou seria plano? Por mais que tente, não consigo me lembrar.
E daí, Darien me trouxe de volta.
Sentiu-se tão culpado pelo que aconteceu... Certas coisas não deveriam ter sido
resolvidas de forma tão difícil. Ainda sinto um temor nele, mas nem ele
entendeu o que estava ocorrendo. Afinal, o pior, teoricamente, já passou, não
é?
É o homem que eu amo. Ele pai, eu
mãe... Como me sentia estranha. Darien estava mais familiarizado com a
situação, contente até. Não que estivesse feliz, mas... e agora? Se meus pais
soubessem? A Molly? E o pessoal lá na escola? Podia perceber cada gota pingando
em minha cabeça...
Eu tinha que admitir que não era
madura o suficiente e que Rini nem deveria saber a verdade. Ou será que já
sabia? E se ela se lembrava dos pais? Não era para ter nos contado algo?
Haviam se passado dois dias,
desde a última batalha. Nenhuma manifestação de energia maligna, nenhum droid,
nenhum alarme, pelo menos por hora. E como tal fato tem preocupado a todos.
Meus pais e irmão viajaram. Rini
também foi junto. A contra gosto, mas Darien a convenceu de ela precisava de
experiências para a idade dela. Só mesmo o Darien! Eu não levo jeito com
criança, muito menos com uma como a Rini. Egoísmo meu... Não era nada perfeita.
Mal conversamos desde a última
vez que nos vimos, só por telefone. Ele combinou de vir até a minha casa hoje,
à tarde. Engoli em seco, pois a casa já começava a ficar uma bagunça! E só eu
aqui para arrumar tudo. E como tinha preguiça de arrumar sequer alguma coisa.
Achei que as coisas mudariam, mas agora entendo que não mudam por si, depende
de mais esforço da minha parte.
Decidi ajeitar a casa. Acho que
ficou tudo no lugar... Bem, até que levo jeito! Minhas costas estão tão
doloridas... Tomei um banho e me arrumei depressa. Pena não ter deixado nada feito
na cozinha, acho que culinária não é meu forte. E olha que sou gulosa à beça!
Agora, esperando por Darien, me
veio à cabeça de que não tinha ideia como seria o encontro de hoje. Foram
muitos desencontros que aconteceram e somente depois de alguns dias que iriamos
ficar um diante do outro. Não como se quiséssemos nos enfrentar, mas evitar,
mesmo sabendo que teríamos que nos encarar, encarar a si próprios. O que
aconteceu marcou nossas vidas para sempre. E elas não seriam mais as mesmas.
Ouvi a campainha e voei até a
porta. Puxei a maçaneta tão depressa, que via Darien terminar de abaixar o
braço do toque sob a campainha.
Quando nos vimos, parecíamos
tímidos no início, Darien já ia à minha casa, pelo menos até o portão, e ainda
lembrava brevemente dos últimos acontecimentos.
Não resisti e puxei seus ombros
junto a mim, envolvendo-o em um abraço. Percebi que ele me abraçava também.
Sentia seu calor, aquela respiração tranquila... um perfume de rosas. Em
seguida, encostei minha cabeça em seu peito e notei que ele me envolvia forte.
Estava com saudades.
Deixei-me ficar-me em seus
braços. A sensação de tê-lo comigo, ao meu lado, não poderia ser expressa em
palavras. Parecia uma recompensa pelo tempo que esperamos para ficar juntos.
Quando vivíamos trocando implicações um com o outro. Quantas vezes rimos dessas
situações. Realmente, o mundo dá muitas voltas.
Por um momento, quis pensar como
o Darien podia gostar de mim do jeitinho que era, sem se importar com a opinião
dos outros. Daí lembrei o quanto ficou triste ao me ver... naquele estado.
Chorou muito... ficou arrasado mesmo. Não duvidava dele e de seus sentimentos.
Nem dos meus também.
Depois não disse nada e se
afastou de mim, me conduzindo até o sofá, aonde sentei, mas ele ficou em pé.
Ergui a vista e vi seus olhos azuis pairarem em mim.
- Serena? Tudo bem com você? -
ele perguntou.
- Sim. - respondi.
- Queria ter falado contigo
antes. Pelo jeito, estou viciado em adiar as situações. - Darien estava
receoso.
- Eu sei, mas... percebeu como as
meninas ficaram pasmas naquele dia ao saber que tinha lutado sozinha e
terminei... - fui direto ao assunto.
- De fato, elas ficaram
preocupadas, levou um tempo até convencê-las de que estava bem. - Darien não
parecia nervoso, só incomodado.
- E quando as meninas souberam
que somos os pais da Rini? - desviei do assunto inicial.
- É natural Serena, mas pense que
Rini é muito parecida com você, inclusive com sua aparência física. - Darien
falou, sem perceber que já tinha migrado para o mesmo assunto de volta.
Incluindo coisas que ele não sabia, ainda.
Suspirei fundo, minha cabeça
fervia. Percebia o quanto aquela batalha que me tirou a vida por alguns
instantes o incomodava. Afinal de contas, ele me viu morrer... Apesar de tudo,
me disse que tinha deixado de ter pesadelos. Darien explicou o que aconteceu,
as razões dele de ter se afastado por causa do aviso que recebia em sonhos, mas
eu não tinha coragem para dizer que nem tudo estava tranquilo, mais um problema
se somava em meio a outros. Quanta tolice minha!
Não iria preocupá-lo com isso.
Nem me lembrava direito do que vi. Mas era diferente dos pesadelos que o Darien
teve. Estava com uma roupa estranha, era meu vestido de princesa, com outros
detalhes, idêntica a roupa da Princesa Serenity do futuro. Era um lugar em
ruínas com vários droids negros e olhos vermelhos ao meu redor, deveria ter
milhares deles. Nem o Príncipe Endymion ou alguma das guerreiras estava lá.
Erguia o cristal de prata e
lançava a energia dela em direção aos droids, me sentindo cada vez mais
cansada, mas ainda lutava. Depois não lembro, era um sonho em partes, mas minha
roupa estava em frangalhos e o cristal de prata tinha um aspecto diferente,
seria o cristal de prata do futuro? E onde iria achá-lo? Então o que tenho aqui
comigo não é suficiente para derrotar o inimigo?
“Só pode ser mais sonhos enviado
ou pelo Príncipe Endymion ou, mais provavelmente, pela Princesa Serenity do
futuro”. - pensei. Mas por que fariam isso agora?
Me veio um clarão. E se fossem
sonhos premonitórios? Não era lá muito supersticiosa, mas não custava nada
partir de tal ideia. E se fosse uma visão futura? O que a estaria causando?
- Você ouviu o que eu disse? -
Darien perguntou, percebendo que estava aérea.
- O que falou? - perguntei.
- Está tão distraída Serena. -
disse indo até a janela da sala.
- Não é nada... não se preocupe.
- falei sentada no sofá.
- Não vou te forçar a nada, seria
incompatível de minha parte, mas se quiser conversar, estarei aqui. - era tão
compreensivo e eu, tão abobada.
Queria contar o que estava
havendo ali mesmo, mas a voz para isso não saía. Se ele soubesse do que se
tratava...
- No momento, precisamos
descobrir o esconderijo de quem você citou, Wilseman. Lembra o que as suas
amigas falaram, se transformaram em guerreiras e foram direto para a outra
dimensão, onde conversaram com a Sailor Plutão, que estava com a Rini.
Derrotaram Safiro, que ameaçava acabar com o planeta. Depois voltaram com
Artemis e Lua. - disse se virando até aonde eu estava.
- Depois souberam o que aconteceu
conosco. - disse apreensiva.
- Talvez precisemos entrar lá com
as guerreiras, uma batalha aqui na terra arriscaria a vida de
muitas pessoas.
- Eu sei... - mal conseguia
falar.
- Se não tem ocorrido evidências
de ataques dos droids ou de Wilseman, eles devem estar na dimensão do Reino
Lunar Negro. Precisamos ficar atentos, pois não sabemos ainda onde eles estão.
- ele deu sequência ao seu pensamento.
- Darien... preciso te contar uma
coisa. - disse me levantando do sofá.
Então, Darien foi se aproximando
de mim. Não quis olhá-lo nos olhos, até abaixei um pouco a cabeça, mas ele foi
até onde eu estava, próximo da mesa de centro. Segurou meu queixo e levantei os
olhos, que encontraram os dele.
- O que quer me dizer? - ele me
olhava pensativo.
- Você... ainda tem tido àqueles
sonhos? - não era aonde queria chegar ainda.
- Desde aquele dia, isso não tem
ocorrido mais. - Darien me olhava nos olhos e sabia que queria ouvir mais.
Ninguém sabia dos meus sonhos,
nem mesmo minhas amigas. Eu que sou tão ingênua para confiar nas pessoas... Mas
Darien não merecia sofrer tanto, eu não tinha raiva ou remorso dele. Acredito
que, às vezes, apenas não entendi a situação direito e minha reação foi uma
inevitável chateação. Mas, quando cheguei ao meu limite, senti que não podia
esquecer meus sentimentos.
- Estou com um mau presságio. -
disse, desviando o olhar para o celular dele que havia deixado sobre a mesa.
- Eu sei que se preocupa muito
com o que está acontecendo ultimamente, mas fique tranquila. - Darien tentou me
acalmar, mas sabia que estava mais preocupada que o normal.
- Eu quero que você saiba que não
precisa se sentir culpado Darien. Não tenho raiva de você. Por aquele dia,
aquela batalha difícil. Nem sei por que o cristal de prata reagiu naquela hora.
Precisa se perdoar. - disse desabafando.
- Não é tão simples assim Serena.
- disse pensativo.
- Eu estou aqui agora, não estou?
- falei.
- Sim, mas não quero mais me
sentir assim, essa culpa...
- Você me salvou, não se lembra?
- Não quero pensar no que poderia
ter sido se não tivesse ajuda. Naquela situação extrema, tive consciência de
que não podia ter escondido algo tão sério. Não por capricho, sou humano e
sujeito a falhas como qualquer um. Isso não foi o mais penoso para mim, mas por
desconsiderar que ao invés de te manter a salvo, te coloquei em um caminho, por
um momento, sem volta.
- Darien... - olhei no fundo dos
seus olhos.
- Sei que agora preciso assumir
riscos, estar por perto e, não me esquivar como em outras vezes. Será diferente
desta vez. Confio muito em você e em nós Serena.
Olhou para mim e fiquei notando
aquele brilho em seu olhar azul, tão profundo. Ele era tão eloquente, mas nessa
hora nem ousei a me sentir inferior. Estávamos tão iguais e em sintonia um com
o outro.
Darien colocou as mãos em meus
ombros e inclinou a cabeça, me envolvendo em um abraço. Ergui uma das mãos e a
coloquei em seu braço, tão quente e forte. Apoiei meu queixo em seu ombro e
apertei os olhos, relembrando as coisas que não tinha coragem de contar para
ele. Aquele abraço trouxe um pouco da minha angústia, um tanto escondida de
dentro de mim. A força do seu corpo contra o meu, fazia-me sentir protegida.
Então, Darien afastou o rosto e
olhou novamente em meus olhos, pondo uma das mãos em meu pescoço. Fiquei
olhando-o sentindo o calor o seu punho, o cheiro de perfume caro que ele tinha.
Era tão bom... Estava se aproximando cada vez mais, sua respiração ficou mais
perto da minha e meu coração acelerava. Fechei os olhos, sentindo seus lábios
em mim e, retribui seu beijo.
Darien me beijava com carinho e
agia com tranquilidade. Era como se quisesse me explorar aos poucos. Fiquei a
tocá-lo com os lábios com muita intensidade. Ergui minhas mãos e passei a
acariciar seus cabelos, enquanto ele me beijava mais profundamente. Seu toque
era intenso e profundo, colocou as mãos em meu pescoço e ainda sentia seus
lábios. Permaneci com os olhos fechados, enquanto ele interrompeu o beijo para
que pudéssemos respirar, apoiando minha cabeça em seu peito.
- Eu tenho tido pesadelos com o
Reino Lunar Negro. - deixei sair o que me afligia.
Darien me afastou de si e olhou
nos meus olhos. Parecia incrédulo com o que ouvia, mas deixei escapar, mesmo
com o risco de estragar um momento tão nosso.
- Como assim? - ele perguntou.
- Não tenho sonhos com
frequência, mas quando acontecem sempre estou em campo de batalha. Com o
vestido de princesa do futuro. Havia muito droids e tento derrotar todos eles,
mas eram muitos! - disse segurando o choro.
- Agora entendo porque está tão
preocupada. Precisamos falar com a Princesa Serenity e o Príncipe Endymion do
futuro. Não creio que eles fariam isso, mas talvez tenham pistas.
- Quando eu estava... você sabe,
me vi em outro plano, parecido com o que vi no sonho, mas não me recordo de
mais nada! - falei e abri meu berreiro.
- Nós vamos descobrir o que está
provocando isso Serena. Falaremos com suas amigas, Lua, Artemis, só não a Rini,
pelo menos por enquanto.
- Darien... eu não quero...
- Não se preocupe. Desta vez, não
vou me livrar de você. - disse, estendendo uma das mãos para retirar as
lágrimas do meu rosto.
Darien procurava me acalmar, mas
eu estava muito nervosa. Os pesadelos eram horríveis, pareciam reais. Comecei a
soluçar, sem saber o que pensar sobre o que estava ocorrendo. Ele segurou os
meus ombros e coloquei minha cabeça de volta em seu peito, como aqueles sonhos
me preocupavam.
Comecei a prestar atenção no colo
do Darien, tão quente, tão forte. Era um porto seguro. Sei que também estava
preocupado com o que tinha lhe contado, mas ele sempre buscava encontrar uma
saída para os problemas. Darien estava disposto a enfrentar o que quer que me
colocasse em perigo.
Senti minhas lágrimas cessarem,
mas outra coisa me incomodava, não sabia bem de onde vinha, até que o barulho
do meu estomago me fez perceber que estava com fome.
- Está na hora de comer Odango
Atama! - ele falou com um sorriso.
- Darien! - falei fingindo que
não havia gostado.
- Sei que vai preparar um prato
especial. Imagino o quanto deve ficar bom. - disse em tom irônico.
- Eu não deixei comida pronta. O
que é que eu faço agora? - disse lembrando que não fiz lanche algum.
- Podia aprender a cozinhar,
sabia? Tenho certeza que sua mãe ou suas amigas te ajudariam muito. - Darien
dava uma sugestão máxima, o qual não dava a mínima.
- Será que não pode ser mais
compreensivo com uma dama que está com fome? - disse fazendo drama, confesso,
mas não queria ir para a cozinha de jeito nenhum.
Darien me olhou sério e fiquei
esperando uma resposta, será que tinha dito alguma besteira? Quis perguntar o
que tinha, mas meu estomago voltou a reclamar, minha necessidade parecia mais
urgente que a minha curiosidade.
_ _ _ _ _
Serena estava apreensiva com os
sonhos que estava tendo. Sabia bem o que era isso, mas ela foi mais madura para
me contar, mesmo temendo as consequências, ela havia reconhecido que precisava
de ajuda.
Pensava que os pesadelos haviam
ficado para trás, apenas porque tinha deixado de tê-los todas as noites.
Acreditei que aqueles maus momentos eram passado...
Eu não poderia tomar as mesmas
decisões, com o sério risco de obter os mesmos resultados, se, na melhor
hipótese, eles não fossem piores. Tinha escolhido o caminho mais fácil. Mas não
resolvi o problema, pelo contrário, a circunstância chegou ao extremo.
Antes eu evitava lembrar, aquela
imagem da Serena... aquilo me consumia, porque era tudo o que eu não queria que
acontecesse. E não pude fazer nada naquela hora. Logo eu que sempre tive que
fazer escolhas importantes para a minha vida, desde que meus pais morreram e fiquei
maior de idade. Falhei com a vida da Serena.
Ela não estava magoada comigo,
apesar de tudo o que aconteceu, sentia que estava mais forte, mesmo preocupada,
ela queria enfrentar os fatos. E entendi que para aceitar a compreensão dela,
precisava aceitar a minha própria. E isso levaria tempo. Mas eu poderia começar
a por ordem nas coisas.
Serena olhava para mim inquieta.
Estava esperando que dissesse qualquer coisa em meio ao barulho que seu
estomago fazia.
- Eu preciso te entregar uma
coisa. - disse decidido.
Ela fez uma expressão estranha,
não estava entendendo nada.
Peguei uma das suas mãos,
enquanto puxava o objeto do meu bolso e a colocava sob a mão direita de Serena.
- A caixa de música... - ficou
sem palavras.
- É e sempre será sua. - falei
enquanto a observava olhar fixamente para o objeto.
- Sentia falta da melodia, sentia
sua falta... agora não sinto mais! - Serena falou.
- Então, vai ficar aí parada ou
vamos comer algo em um lugar bem legal? - disse para mudar de assunto.
Serena pediu para ir até o quarto
pegar a bolsa. Fiquei na sala esperando, enquanto ela subia as escadas.
Caminhei um pouco pelo cômodo, até reparar um porta retrato com a família dela.
Não conhecia todos pessoalmente, somente o pai de Serena, mas falei com ele rápido,
me identificando como amigo dela. E eu já tinha começado a namorar a Serena.
- Voltei! - ela falou, terminando
de descer as escadas.
- Quero te pedir uma coisa. -
disse pensando na ideia que me ocorreu.
- O que foi? - perguntou
apreensiva.
- Quando seus pais voltarem de
viagem com a Rini, eu quero conhecê-los.
- Demorou, hein? Mamãe já
perguntou sobre você, sabia? Ela sugeriu um jantar...
- Perfeito, só falta você
combinar um dia.
- Seu pedido é uma ordem, senhor
Darien Chiba! - disse piscando o olho.
- Eu vou te pedir em namoro
Serena.
Serena me olhou com um misto de
surpresa e alegria. Não que não estivéssemos namorando, mas talvez não
esperasse que queria fazer tudo nos conformes. Eu nunca havia oficializado um
namoro desta forma. Nem mesmo quando tive um rápido namoro com a amiga dela, a
Rey.
Em relacionamentos anteriores, as
namoradas que tive eram quem tomavam a iniciativa de querer que eu conhecesse a
família, parentes ou responsáveis. Agora que me dava conta de tantas mudanças.
- Quem deve aceitar, eu ou os
meus pais? - Serena perguntou pensativa.
- Você nunca namorou antes? Achei
que soubesse. - disse displicente.
- Como você é indiscreto, hein!?
- notei que também falava besteiras, podia até ferir os sentimentos dela,
realmente era uma descoberta atrás da outra.
- Digo, todos vocês entram em um
consenso e eu entro para a família. Combinado? – perguntei.
- Agora está falando a minha
língua! - e puxou o meu braço em direção a entrada da casa.
Serena trancou a porta pelo lado
de fora da casa e seguimos andando. Não estava muito movimentado naquela tarde.
Preferi deixar o carro estacionado, queria aproveitar aquele momento, fazia
tempo que não saíamos juntos.
Apontei a direção que deveríamos
ir, ela estava menos tagarela e mais faminta. Apertei o passo para chegarmos
logo ao nosso destino.
Durante o caminho, retirei
educadamente a mão de Serena que estava sob meu braço e segurei sua mão.
Começamos a andar de mãos dadas. Ela olhou nos meus olhos e sorriu, abaixando a
levemente a cabeça, com as bochechas um pouco vermelhas. Não demorou muito, já
estávamos na entrada do salão de jogos.
Andrew estava terminando de
atender um cliente atrás do balcão e ficou boquiaberto quando nos viu.
- É impressão minha ou vocês
estão namorando? - disse observando que estávamos de mãos dadas.
- Como sempre muito discreto, meu
amigo. - Serena até podia reclamar de mim, mas eu perdia feio para o meu amigo
no quesito discrição.
- Sim, estamos namorando. E faz
tempo. - disse sorrindo.
Ele nos olhou meio incrédulo, mas
me conhecia suficiente para saber que falava sério demais para estar brincando.
- Puxa! É até difícil acreditar,
mas pelo que estou vendo... E pensar que perdi as contas de quantas vezes via
vocês brigando aqui. - disse.
- Estamos namorando e estamos com
fome Andrew! - Serena devia estar com medo do estomago dela reclamar novamente.
- Sempre direto ao ponto hein,
Serena. Certo, o que vão querer? Tem mesas perto da entrada. - disse apontando
o lugar.
Serena pediu um milk-shake duplo
com dois hambúrgueres. Para variar, eu pedi um café e, por insistência dela, um
sanduíche.
Andrew foi entrando para a parte
interna do estabelecimento para providenciar nossos pedidos, enquanto dizia:
- Cuida bem da Serena viu Darien.
Você sabe que ela é como se fosse uma irmã para mim. - falou.
- Não se preocupe, eu tomo conta
dela. - me limitei a dizer.
Quando olhei de volta, Serena já
tinha ocupado uma mesa, ao lado da janela. Sentei de frente para ela,
aguardando os pedidos. Parecia refletir sobre algo. Estaria voltando a pensar
nos pesadelos? Ou na novidade que contei para meu amigo? Não queria
questioná-la, pelo menos agora.
Lembrei que Andrew vivia me
dizendo que eu era o cara perfeito para qualquer mulher, que poderia ter a
companheira que quisesse. Só não tinha me perguntado o que achava, se eu era um
namorado perfeito ou um perfeito namorado para alguém. Andrew faz o estilo
sonhador. Principalmente agora que está namorando a Rita.
Imagino o quanto deve estar
surpreso. Se o conheço bem, sempre quis que eu tivesse uma namorada fixa ou
algo do tipo. Só não esperava que fosse a Serena. Ele já tinha presenciado
tantas brigas nossas, mas não achava que nos odiávamos, simplesmente que
gostávamos de implicar um com o outro.
Uma vez ali, naquele salão de jogos,
havia chamado Serena pelo apelido que ela detestava. Ficou furiosa, saiu
correndo e chorando, batendo a porta no salão. Não me contive com a situação e,
por algum motivo, comecei a rir até que Andrew, que estava por perto e viu o
fato, comentou, com um tanto de verdade.
- Você implica tanto com a
Serena, acho que você está gostando dela. Do seu jeito, é claro.
Naquele momento, eu apenas sorri,
estava com uma rotina bem marcada. Faculdade, trabalhos, viagens curtas e
saídas nos finais de semana, que não dei muita importância. Mas olhando para
Serena, absorta em pensamentos, entendi que nada é por acaso. Foi questão de
tempo até nos entendermos realmente.
- Pelo visto, Andrew ficou
espantado porque a gente está namorando Darien. - Serena falou olhando para a
mesa.
- Acredito que, no fundo ele
sabia que isso iria terminar acontecendo. - disse lembrando do que havia
pensado.
- Como assim? - perguntou, sem
entender.
- Ele parece desligado da
realidade, mas ele tem uma visão ampla do que acontece. Talvez ficou surpreso,
mas também encantado, eu diria. - falei sorrindo, enquanto um dos funcionários
trazia os nossos lanches.
Serena não esperou mais e começou
a comer, parecia que estava ingerindo a última refeição da vez. Terminou logo
os hambúrgueres e, eu ainda estava acabando o café.
- Você come depressa demais. Tome
cuidado para não se engasgar. - disse.
Serena olhou para mim com o
canudo do milk-shake na boca. Aquele momento era sagrado para ela.
- Agora me sinto melhor. - disse,
tomando o restante da bebida que estava na taça.
- Depois que terminar o
sanduíche, vou te levar para casa. - falei, conferindo a chave do carro que
estava no bolso.
- Eu vou ficar sozinha lá em
casa. - Serena falou desanimada.
- Está anoitecendo, mas agora
está de barriga cheia. - tranque a casa quando chegar e não abra porta para
estranhos.
- Parece um adulto falando. -
Serena disse franzindo a testa.
- Quase, mas sou maior de idade.
E você poderá tomar conta de si mesma por algumas noites até seus pais
chegarem.
- Mas eu tenho medo de ficar lá
em casa sozinha! Meus pais disseram que só voltam semana que vem, não se
lembra?
- Não é a primeira vez que sua
família viaja e você escolhe ficar em casa. Vai ser uma das muitas
oportunidades para mostrar que é responsável. - ela não estava gostando do que
estava falando.
- Eu não acredito, só porque você
mora sozinho, acha que é fácil para os outros...
- Não é bem assim Serena. Eu não
escolhi morar sozinho, foi uma circunstância, precisei me acostumar. Por outro
lado, pensar em você me faz não me sentir tão só. Você é a família que eu
tenho.
- Darien... falei besteira, não
foi? - disse com a voz baixa.
- Você vai ficar bem? - queria a
opinião dela.
- Está certo, vou para casa.
Serena estava cabisbaixa. Se a
conhecesse há pouco tempo, poderia pensar que era bobagem da parte dela. Mas
sabia o quanto estava preocupada.
- Você precisa descansar hoje.
Amanhã vamos sair cedo, encontrar suas amigas para decidirmos o que fazer
primeiro. Elas sabem de...
- Preferi contar para você
primeiro Darien.
- Vamos encontrar uma saída
Serena. Passamos por outras situações tão piores e estamos aqui, logo isto
ficará para trás.
- Sua vida não foi fácil Darien.
E mesmo assim você ainda consegue me apoiar, ter uma palavra neste momento difícil.
- ela falou com os olhos um pouco vermelhos.
- Eu sou seu namorado, não sou?
Estendi minha mão sobre a dela,
que deixava-se ficar sobre a mesa. Apertei sua mão entre a minha de leve,
olhando seus olhos ainda vermelhos. Serena correspondeu, com seus dedos entre
os meus.
Seu rosto foi se aproximando do
meu. Deixei-me aproximar também, vendo o restante do sanduíche em cima do
prato. Havia poucas pessoas no ambiente, o olhar de Serena estava natural e
sabia que eu era um bom remédio para ela. Estávamos cada vez mais perto um do
outro, quando Andrew, a caminho de onde estávamos, nos fez parar.
- E então, gostaram da refeição?
- disse enquanto eu e Serena voltávamos para nossas posições iniciais na mesa.
- Sim, o pedido estava como nós
queríamos. Talvez viremos amanhã novamente. - disse tentando manter a
naturalidade.
- Combinado, então até amanhã. E
cuide bem dela, ok? - disse Andrew piscando o olho em direção a Serena, levando
os talheres para o interior do balcão.
Eu e Serena nos dirigimos até a porta.
Ao sairmos, notei o quanto estava tarde, já tinha anoitecido. Percebi que o
movimento na rua não estava muito intenso. Precisava me apressar para levar
Serena em casa.
Olhei em frente e seguimos
andando até o carro estacionado próximo dali. Parecia digerir a proposta que
tinha feito. Queria estar mais próximo, não apenas pela ausência temporária dos
pais, mas também por conta das preocupações que tem tido ultimamente.
- Nenhum contato das minhas
amigas. - disse Serena olhando para seu comunicador.
- Menos mal. Com o portal que separa o presente do futuro
fechado, não sei como iremos encontrar nossos sósias. - disse absorto.
- Darien, eu preciso te contar
uma coisa. - disse, enquanto avistava os quarteirões que faltavam para chegar
até a casa dela.
- Algum problema? - perguntei
imaginado o que me diria.
Percebi que havia algo na mão de
Serena, que foi retirando o objeto da jaqueta, mantendo-o fechado na sua mão.
- Promete que não vai bronquear
comigo? - perguntou.
- Por que iria brigar com você? -
respondi com outra questão.
- É que Lua me contou que para
acessar o portal do tempo é preciso ativá-la, então... - falou abrindo a mão
para que visse o que estava ali.
- A chave do tempo da Rini? - não
pude conter a surpresa.
- Eu sabia que você não iria
gostar, mas foi o único jeito. - disse Serena engolindo o início do choro.
- Eu falei que iriamos conversar
com suas amigas e com nossas versões do futuro, mas da melhor forma possível. -
tentei manter a calma.
- Eu sei Darien, mas não podia mais
esperar. Amy disse que só entraria em contato se detectasse alguma coisa, mas
há quantos dias...
- Precisamos encontrar nossas
próprias soluções. - disse não com raiva, mas com firmeza.
- Peguei a chave do tempo, como
ela pegou meu broche de transformação, não lembra? - falou como se tivesse
razão.
- E quer cometer um erro por
causa de outro? Não percebe o que tem ocorrido nestes últimos dias? - não
conseguia entende-la.
- Eu não vou devolver a chave
para Rini. Não até entrarmos no Reino Lunar do futuro. - falou decidida.
- Serena, Rini virá atrás do que
pertence a ela, pode desaparecer como já fez em outras ocasiões. - expliquei a
situação.
- Não, ela não fará isso, porque
prometeu para você que voltará apenas com os meus pais e meu irmão. - disse chorando.
- Se quiser ter a confiança dela,
precisará ter palavra Serena. Você é mãe dela, precisa ser referência que Rini
precisa.
Serena olhou para baixo,
apertando a chave em suas mãos, enquanto terminava de estacionar o carro em
frente a sua casa. Mal parei o veículo, ela olhou para mim e pensei que iria me
dizer algo. Mas simplesmente virou o rosto e fez a menção de descer do carro
com pressa.
- Espera Serena! - falei,
descendo do carro.
- Não precisa ir comigo Darien,
eu vou sozinha falar com o Príncipe Endymion e a Princesa Serenity. Nem precisa
vir atrás de mim. - falou andando.
- Isto não é um assunto somente
seu. - disse, alcançando-a.
- Depois que falar com eles, eu
prometo para você que devolvo a chave da Rini. Mas agora não tente me impedir.
Serena tinha um brilho nos olhos.
Parecia bastante decidida. Não concordava com o que tinha feito, Rini sumiu uma
vez, poderia sumir de novo quando desse falta do objeto. Mas a fiz prometer que
acontecesse o que acontecesse, ela só voltaria junto com a família de Serena.
Sabia que o mal não estava acabado. Talvez Serena temesse que tomasse a chave
que estava em suas mãos e não a ajudasse com seus planos.
- Precisa ir para a fonte. Você
me disse que, uma vez, Rini ativou a chave do tempo lá. Quando isto passar,
prometa que não irá mais fazer isso. - falei.
Então, Serena abanou a cabeça
concordando. Voltamos para o carro e seguimos a caminho da fonte. Não era muito
longe dali, sabia onde ficava. Embora passasse das dez horas da noite, achava
que não iríamos dormir tão cedo. Talvez começássemos a encontrar as respostas
que estávamos procurando.
_ _ _ _ _
Fiquei olhando a janela do carro
do Darien. Não conseguia olhar direito nos olhos dele. Em pouco tempo,
acertamos as contas, brigamos e fizemos as pazes. Era uma novidade amar e ser
amada.
Sei que não era a atitude mais
correta que estava tendo, mas desde que fui parar sabe-se lá aonde e comecei a
ter pesadelos, fiquei muito angustiada. Precisava contar o que estava
acontecendo para alguém, se não iria acabar explodindo de tanta preocupação.
Depois, Darien quis conversar comigo, contei o que estava havendo... Mas as
minhas revelações estavam melhor que a encomenda.
Olhei a chave da Rini em uma das
minhas mãos. Era como se segurasse uma solução para os nossos problemas. Não
sei se já tinha dado falta do objeto, mas faltava poucos dias para ela e meus
pais voltarem para casa.
Darien encostou o carro, dizendo
que havíamos chegado até a fonte. Por causa do horário, não havia ninguém por
ali, poderia ficar a vontade para usar a chave. Olhei rapidamente para ele e
descemos.
Corri até a fonte, erguendo a
chave para o alto. Pedi pelos poderes sagrados que pudéssemos viajar no tempo.
Mal proferi as palavras, uma
forte luz apareceu, trazendo uma ventania que tragou eu e Darien para o
interior de uma passagem. Em questão de segundos, estávamos no que foi o Reino
Lunar do futuro.
- Princesa Serenity, príncipe
Endymion, precisamos falar com vocês. Atendam nosso pedido agora. - Darien
disse.
Não sabíamos exatamente em qual
lugar do Reino Lunar estávamos. Olhei para os lados e não percebi a presença de
algum deles. Estava com muitas perguntas.
- Olha Serena. - Darien falou
apontando para um palácio em ruínas.
Uma áurea envolvia o lugar,
materializando os espíritos das nossas versões do futuro. Ao terminarem o
processo, perguntaram o que fazíamos ali.
- Eu tenho pesadelos com o Reino
Lunar Negro, Princesa Serenity. Vocês nos enviaram estes sonhos? Seria um
aviso? O que precisamos saber desta vez?
- Por que isto está acontecendo?
- Darien perguntou.
- Você continua com visões
recorrentes desde daquele dia em que foi parar em outro plano. - a princesa
falou.
- Não entendo, o que isto quer
dizer? - perguntei apreensiva.
- Uma vez lutei contra todos
estes droids Serena. Talvez Wilserman invoque muitos deles novamente, mas desta
vez, não estará sozinha.
- Mas o que faremos? - Darien
questionou.
- Não há mais tempo. Precisam
voltar agora, a terra precisa de vocês. - disse o príncipe.
- O que há? - Darien quis saber.
- Temos nossa ligação com a
terra, sabemos o que ocorre nela. Wilseman está abrindo um buraco negro entre a
dimensão dos mundos e quer invadir o planeta. Não podem perder mais tempo. -
disse enquanto ele e a princesa sumiam.
- Esperem, me diga onde está o
cristal de prata do futuro. - eu não me conformava.
- Vamos Serena! - Darien disse.
Enquanto a chave em punho nos
levava de volta a terra, pensava o que Wilseman e o Fantasma da Morte queriam
com a Rini se aparentemente ela não estava com o cristal de prata do futuro.
Mas será que ela sabia da localização do cristal e ambos queriam arrancar a
informação dela? Nem deu tempo de perguntar mais nada.
De volta a fonte, via um ponto
negro nos céus de Tóquio. O Príncipe Endymion estava certo, Wilseman estava
tentando invadir a terra. Penso que ele havia de querer meu cristal de prata,
tinha que aprender a usá-lo direito. Era minha esperança de detê-lo.
- O tempo está contra nós Serena.
Precisamos nos transformar, avise suas amigas. - Darien avisou, enquanto tirava
uma rosa vermelha do seu paletó.
- Pelo Poder do Cristal Lunar! -
gritei.
Após me transformar, entrei em
contato com as meninas. Para minha surpresa, Amy já tinha tentado falar comigo,
mas sem êxito. Acredito que deve ter sido na hora em que estávamos no Reino
Lunar do futuro. Todas tinham se transformado em guerreiras e pediram que
fossemos depressa até a avenida principal da cidade.
- Tuxedo Mask, as guerreiras já
estão na avenida principal.
- Então vamos Sailor Moon. -
disse me estendendo a mão.
Segurei a mão de Tuxedo Mask e
começamos a correr para ganhar impulso nos saltos. De onde estávamos, havia
muitos prédios altos, não conseguia perceber nossa localização.
- Por aqui, vamos saltar, está
pronta? - ele me perguntou.
Confirmei e Tuxedo Mask tomou
impulso para percorrer os prédios, me apressei para poder acompanhá-lo,
apertando sua mão. Próximo dali, chegamos, sentindo um vento forte.
De longe, acenamos para Sailor
Mercúrio, Sailor Marte, Sailor Júpiter e Sailor Vênus. Lua e Artemis também
estavam.
- Que bom que chegaram! - Sailor
Vênus exclamou.
- Procuramos vocês na cidade
toda! - disse Artemis.
- Depois contamos o que
aconteceu, como estão as coisas por aqui? - Tuxedo Mask perguntou.
- Tentamos entrar pelo buraco
negro, mas recebemos uma descarga de energia maligna. - Sailor Marte comentou.
- Sailor Mercúrio ainda está
rastreando-o, para saber o que faremos. - disse Sailor Júpiter.
- Pedimos para as guerreiras
retirarem as pessoas que estavam próximas daqui. A polícia está ajudando a
esvaziar os prédios, sabem que não é a primeira vez que fontes de energia
maligna se concentram por aqui. - Lua falou.
- Wilseman está concentrando
grande quantidade de energia. - Sailor Mercúrio disse.
- E agora? - perguntei.
- Olhem ali! - gritou Tuxedo
Mask.
Todos olharam para o ponto negro,
Wilseman apareceu emanando muita energia maligna. Tuxedo Mask ergueu sua rosa,
enquanto eu e as guerreiras começávamos a nos colocar em posição de luta.
- Precisamos agir agora! - gritou
Sailor Marte.
- Esperem, não sabemos o que ele
irá fazer. - disse Sailor Vênus.
- Não podemos ficar aqui paradas.
- falou Sailor Júpiter.
- Sailor Vênus tem razão
guerreiras, já estamos em posição de ataque. Quando Wilseman atacar, estaremos
prontas. - disse Sailor Mercúrio.
Estava com meu báculo lunar em
punho. Mais do que nunca iria precisar dele, mesmo sem saber das reais
intenções dele.
Então, Wilseman liberou uma
grande quantidade de energia negra, não em nossa direção, foi a caminho do
próprio buraco negro, que aumentou sua amplitude.
- O que ele está fazendo? -
gritou Tuxedo Mask.
O buraco negro ficou maior,
cobriu praticamente todo o céu da cidade. Percebemos que Wilseman descarregava
toda sua energia sobre o Fantasma da Morte e tentei ver pelo buraco negro, o
que ele era realmente, mas não conseguia visualizar nada além da escuridão. Ele
seria isso?
- Estou deixando energia
suficiente para o Fantasma da Morte ser invencível. Mesmo que eu seja
destruído, em breve a terra virará pó. - Wilseman falou com uma gargalhada
maléfica.
Ele foi sugado para o interior da
dimensão do Fantasma da Morte. Um aglomerado de energia maligna tomou conta do
buraco negro, que fez Wilseman desaparecer em meio a enorme quantidade de
energia apropriada pelo Fantasma da Morte.
- Essa não. - falei.
- Não podemos fazer mais nada. -
disse Sailor Vênus.
- Mas ele não pode invadir a
terra. - disse Sailor Marte.
- Precisamos atacar logo. - falou
Sailor Júpiter.
Pelo jeito, a situação era
péssima. Éramos cinco, em conjunto com Tuxedo Mask seis, mas mesmo em um, o
Fantasma da Morte estava muito poderoso, dada a grande quantidade de energia
maligna que tinha absorvido. Se ele atravessasse o buraco negro, poderia ser o
fim.
Apertei o báculo segurado em
minha mão. Sailor Marte dizia para unir nossos poderes para atacar novamente,
mas a medida não iria funcionar agora. Nem meus poderes, nem os das sailors ou
de Tuxedo Mask.
- Cuidado guerreiras. - Lua
gritou.
- O que? - interrogou Artemis.
A energia maligna começou a se
dividir e ganhar forma, melhor dizendo, inúmeras formas. Aquelas imagens foram
se definindo e notamos vários droids serem invocados pelo Fantasma da Morte.
Não, não era por impulso que iria
fazer aquilo. Mas realmente não havia outra saída. Notei que nenhuma das sailors
estava próximo de mim, nem daria tempo para algumas delas me alcançarem.
Era como se a situação, por um
momento, ficasse em câmera lenta. Olhei para Tuxedo Mask adiante, era como se
estivesse me despedindo. Dei um passo a frente, olhando os droids que começavam
a entrar na terra.
Meu uniforme de sailor
converteu-se na roupa da princesa da lua. Materializei o cristal de prata sob
minhas mãos.
- Não faça isso Sailor Moon. -
ouvi de Tuxedo Mask.
- Eu vou entrar, atacarei o
Fantasma da Morte. Sei que conseguem lutar contra os droids. - disse a ele e as
guerreiras, emanando minha energia para acabar com alguns droids que avançavam
em nosso rumo.
- Não vou perder você de novo
Serena. - Tuxedo Mask disse indo em minha direção.
- É o meu dever, Darien. - disse,
enquanto levitava do chão, indo em direção ao buraco negro.
Ouvi os gritos das guerreiras
pedindo que não fosse, enquanto atacavam mais droids que entravam na terra,
usando seus respectivos poderes.
Uma onda de energia maligna me
envolveu, mas como o poder o cristal de prata em punho, não fui atingida pelo
poder que o Fantasma da Morte lançava do outro lado. Senti um vento forte e
fiquei em posição vertical, levantando as mãos para manusear o cristal na
passagem pelo buraco negro.
Uma luz brilhou do cristal de
prata, não sabia se eu ainda estava no controle ou o cristal passava a emitir
energia própria, pois já tinha visto aquele brilho uma vez... Sei que estava
atravessando o buraco negro e a luz brilhava cada vez mais.
Meu corpo ficou mais leve, era
como se não estivesse sob efeito da gravidade. No início, a visão estava
escura, mas aos poucos percebi que tinha ido parar nas ruínas do Reino Lunar do
futuro. O cristal de prata havia me teletransportado até lá. Mas para que?
Precisava impedir que o Fantasma da Morte destruísse a terra, não havia tempo.
Senti chão sob meus pés e fui
caminhando. As ruínas eram do castelo do meu eu do futuro. A sala principal
dava acesso ao salão onde estava o caixão com o corpo da Princesa Serenity.
Entrei sem saber o que pensava.
Reparei um brilho vindo do cristal de prata. Ele levitou da minha mão e posou
junto ao peito do corpo dela. Seu espírito se materializou na minha frente.
- Preciso da sua ajuda. - falei.
- Seu cristal de prata não poderá
derrotar o Fantasma da Morte sozinho. - ela disse.
- Não, deve haver um jeito. - não
podia acreditar.
- Precisa usar o meu cristal
junto com o seu, assim terá chances de derrotá-lo. - disse.
Então, meu cristal de prata
brilhou intensamente, emergindo um brilho maior de dentro do peito do corpo
dela, sem ferí-la.
- Mas isso é...
- Sim, este é o cristal de prata
do futuro. Fiquei com ele durante todo este tempo. Não poderia deixá-lo com a
Rini, ficaria em perigo. Temi que alguém do Reino Lunar Negro a encontrasse.
- Mal posso acreditar...
- Quando o Reino Lunar Negro nos
atacou de surpresa, lutei contra os droids e junto com o Príncipe Endymion,
enviamos Rini ao seu tempo na terra. Para evitar que o Fantasma da Morte
conseguisse o cristal de prata, antes do Reino Lunar do futuro ser destruído, o
cerrei em meu corpo, aguardando que você liberasse seu poder para usá-lo.
Fiquei perplexa com a revelação.
O cristal de prata do futuro ficou escondido este tempo todo para não cair em
mãos erradas, esperando pelo meu amadurecimento como princesa.
- Aqueles sonhos não eram
comigo... era com você.
- Exatamente.
- Isso significa que não é a
primeira vez que vou lutar com o Fantasma da Morte, esta situação está prestes
a se repetir.
O espírito da Princesa Serenity
uniu o cristal de prata do presente com o do futuro, fazendo com que minha
roupa de princesa ficasse igual a dela.
- Por favor, restaure o nosso reino, somente
assim Rini poderá voltar. - disse desaparecendo.
Pedi ao cristal de prata que me
levasse de volta até o ponto do buraco negro em que o Fantasma da Morte
ameaçava com sua escuridão, mas eu estava repleta de luz.
_ _ _ _ _
Não consegui impedir Serena de
entrar pelo portal. Vi aquela luz brilhando durante sua passagem e senti uma
sensação estranha, como se já tivesse sentido isto antes, a situação era séria
demais para estar tendo um dejá vu.
Mais droids atacavam, o buraco
negro aumentava cada vez mais sua amplitude. As guerreiras ainda chamavam
Sailor Moon. Em vão.
Ela entrou lá e, a essa altura,
já deveria estar lutando com todas as suas forças contra o Fantasma da Morte. E
estávamos na terra sem poder fazer nada. Como poderia proteger meu próprio
planeta em uma condição dessas?
- Eu não acredito. A princesa
vai... - disse Lua.
- Não podemos ficar aqui,
precisamos ir a um lugar seguro. - falou Artemis, chamando Lua.
Lancei minhas rosas para deter um
grupo de droids que iam em nossa direção para dar abertura a saída de ambos por
um beco. Sei que estavam se sentindo impotentes. Todos nós estávamos.
Eu fiz uma promessa a Serena, uma
promessa a mim mesmo. Tinha que cumpri-la, custasse o que custasse.
Fui em direção ao buraco negro,
lançando meus poderes para desbloquear a visão coberta por tantos droids que
apareciam.
- Tuxedo la Smoking Bomber!
Me aproximei da enorme quantidade
oriunda do buraco negro, mas fui atingido por uma quantidade de energia
maligna, como aconteceu com as sailors antes de chegar.
Fiquei caído no chão, vendo o que
mais parecia um cenário de guerra. Não apenas Serena corria perigo, as sailors
também, todas as pessoas aqui na terra.
Na ânsia de proteger quem eu
amava, precisava considerar as adversidades como um todo, o Fantasma da Morte
estava prestes a acabar com o planeta. Virei-me de bruços e permaneci de
joelhos no asfalto.
- Eu preciso proteger todos, não
posso desistir agora! - murmurei, batendo um dos punhos fechados no chão.
- Espere! - ouvi atrás de mim.
Já tinha ouvido aquela voz antes,
não era nenhuma das guerreiras.
- Príncipe Endymion. - falei,
vendo o espírito dele se materializar.
- A princesa precisa de você.
- Mas como vou passar pelo buraco
negro?
- Como príncipe, usarei meu cetro
para que você atravesse até lá.
Concentrei meu golpe novamente em
minhas mãos, e minha roupa ficou semelhante ao do Príncipe Endymion do futuro.
Vários droids escapavam do buraco
negro chegando até a terra. As guerreiras fizeram um sinal indicando que
ficariam para impedir que eles atacassem os humanos. Tomei impulso seguido pelo
príncipe.
Antes que pudesse me aproximar do
buraco negro, ele utilizou a energia do seu cetro, era uma luz azul que me
guiou até a abertura. Uma rajada de vento forte me empurrava para trás, mas
seguia avançando.
Dentro do buraco negro, não
percebi mais a presença do príncipe, tinha desaparecido. Entretanto, uma
quantidade imensa de energia maligna se espalhava juntamente com aquela rede
interminável de droids, sobrepujados pela Serena, que estava vestida como a
Princesa Serenity do futuro.
Ela usava a energia do cristal de
prata contra o Fantasma da Morte e os droids, mas alguns deles escapavam em
direção a abertura de acesso a terra. Parecia que o poder dele não era
suficiente, Serena abaixou-se um pouco, mas mantinha os braços estendidos sobre
o cristal.
Cheguei mais perto e fiquei ao
seu lado, colocando minhas mãos em seus ombros. Ela olhou para mim rapidamente,
mantendo seu golpe contra o Fantasma da Morte. Eu não poderia usar o cristal
diretamente, mas poderia aumentar seu poder, transferindo minha energia para
ele e minha proteção para ela.
_ _ _ _ _
Não sabia quanto tempo iria
aguentar, o Fantasma da Morte era muito poderoso apesar de estar usando a
energia de dois cristais ao mesmo tempo. Por um momento, reclinei o corpo
levemente para frente, buscando evitar que a energia do Fantasma atravessasse a
entrada do buraco negro e se manifestasse na terra. Os droids avançavam, mas um
punhado era detido pela energia do cristal, mas ainda observava alguns
atravessarem o buraco negro até o planeta.
Senti aquelas mãos sobre os meus
ombros e olhei para Darien vestido como Príncipe Endymion do futuro. Estava com
uma energia elevada, percebi o quanto tinha se fortalecido, enquanto o via
segurar uma das minhas mãos próximo do cristal, o poder maligno estava prestes
a nos consumir.
Decidi aumentar meu poder ao
extremo, no meu íntimo sentia que as guerreiras me ajudavam, cada uma invocando
seu poder. O feixe da energia de cada uma delas chegava aonde estava. Lancei o
poder do cristal de prata junto com a ajuda do Príncipe Endymion e das sailors.
Um raio de energia atravessou o
poder maligno do Fantasma da Morte, que foi consumido pela luz. Havia sido
destruído.
Percebi que o buraco negro
desapareceu, era o momento de amanhecer, a terra voltava ao seu aspecto normal.
Fechei os olhos me sentindo um pouco fraca, já não estava mais com a aparência
de princesa, mas sim com meu uniforme de Sailor Moon.
Ouvi vozes, a Princesa Serenity e
o Príncipe Endymion do futuro apareceram para agradecer o reestabelecimento da
paz na terra. Disseram que o Reino Lunar do Futuro seria restaurado, ambos
voltariam aos seus corpos e Rini poderia voltar para casa. Será que estava
sonhando? Tentei levantar a vista, mas não consegui.
Não sabia como ainda estava
suspensa no ar, os prédios se concentravam logo abaixo e sabia que não tinha
forças para me agarrar a algo que amortecesse minha queda.
Entretanto, alguém me segurava, e
me chamava, como quem queria ter certeza de que ainda estava ali. Tuxedo Mask
me carregava em seus braços, um vento frio passava até chegarmos ao chão firme.
Ele perguntou como me sentia e
levantei os olhos devagar, percebendo que Darien estava com lágrimas nos olhos.
Mais adiante, Sailor Mercúrio, Sailor Marte, Sailor Júpiter e Sailor Vênus
estavam com os uniformes arranhados, mas com a expressão de dever cumprido.
- Eu estou bem. - disse, vendo o
dia clarear.
- Eu te amo. - ele me disse.
Não poderíamos negar o amor que
sentíamos um pelo outro, construído dia após dia, no passado, presente e
futuro.
Ilana Sam
14/02/2013
_ _ _ _ _
Finalmente, terminei meu primeiro
fanfic de Sailor Moon! Este capítulo demorou para sair, apesar de ser dia dos
namorados em meio mundo, mas com tanta coisa na cabeça... Volta e meia, faz
aproximadamente um ano que decidi escrever esta história!
Com este capítulo, encerro esta
trilogia baseada na fase R. A essa altura, decidi explorar o relacionamento de
Serena e Darien. Rini e as guerreiras apareceram o indispensável. Preferi
mostrar um pouco mais sobre o namoro entre os dois após assumirem o R de
romance. Sei que ficaram alguns pontos ficaram em aberto, outros foram
explicados, entre altos e baixos.
Quero agradecer as opiniões,
críticas, elogios e sugestões sobre o fanfic, seja pelas mensagens ou
pessoalmente. Muito obrigada à todos que esperaram e chegaram até aqui para acompanhar
o final!
Apesar da correria do dia a dia,
continuo escrevendo. Será outro fanfic de Sailor Moon, mas desta vez com foco
na fase classic.
Rumo a fanfic de Sailor Moon
Classic!
Qualquer comentário sobre o final
ou outros capítulos, dúvidas, sugestões e críticas, é só escrever: ilanapr@hotmail.com.
Nenhum comentário:
Postar um comentário